Sherry Turkle sobre redes sociais na internet e solidão
Entrevistada na Globo News, a psicóloga e pesquisadora do MIT, Sherry Turkle, trata dos limites e possibilidades de nossas relações sociais na internet – a dica do vídeo veio de @walter_lima.
Entrevistada na Globo News, a psicóloga e pesquisadora do MIT, Sherry Turkle, trata dos limites e possibilidades de nossas relações sociais na internet – a dica do vídeo veio de @walter_lima.
O uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) em processos educativos gera uma grande discussão sobre os papéis de educadores e educandos. Fala-se muito em exigir uma atitude mais ativa dos alunos, seja na leitura dos textos, nos questionamentos feitos ao docente e na interação com os demais colegas de turma. Discute-se também a necessidade de professores abandonarem certas posturas que supostamente os reconhecem como única fonte do saber.
Tais exigências, contudo, são novidades apenas aparentemente, pelo menos para aqueles que conhecem a pedagogia de Paulo Freire. Veja, por exemplo, o que dizia esse grande educador brasileiro já em 1965:
“Assim, em lugar de escola, que nos parece um conceito, entre nós, demasiado carregado de passividade, em face de nossa própria formação (mesmo quando se lhe dá o atributo de ativa), contradizendo a dinâmica fase de transição, lançamos o Círculo de Cultura. Em lugar de “professor”, com tradições fortemente doadoras, o Coordenador de Debates. Em lugar de aula discursiva, o diálogo. Em lugar de aluno, com tradições passivas, participante de grupo. Em lugar dos “pontos” e programas alienados, programação compacta, “reduzida” e “codificada” em unidades de aprendizado” (FREIRE, P. Educação com prática da liberdade, 16a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. p. 103).
Por outro lado, assumir um papel de coordenador de debates não significa esperar passivamente que o educando descubra e questione o mundo a partir da distribuição de materiais. Em um bate-papo com alunos de 7a e 8a séries da Escola Vera Cruz, em São Paulo, em 1988, Paulo Freire foi enfático:
“Uma educadora nunca pode se omitir. Uma educadora nunca pode esconder-se diante dos alunos. Ela nunca pode ter vergonha de ser uma educadora. Quer dizer, ela tem que assumir-se como educadora, como quem educa”. Dessa forma, “o papel do professor, da professora, é mais do que simplesmente abrir caminho. É o de quem também mostra o caminho” (FREIRE, P. Pedagogia dos sonhos possíveis. Freire, A. M. A. (Org.). São Paulo: Editora Unesp, 2001. p. 109.).
Paulo Freire não teve tempo para pensar a Internet como a conhecemos hoje. No entanto, ele pode continuar nos servindo de inspiração. Ser um educador em um ambiente mediado por diferentes tecnologias, portanto, é muito mais do que distribuir materiais e esperar questionamentos passivamente. Essa postura é particularmente tentadora quando não estamos diante dos alunos fisicamente e pela facilidade de se esconder atrás de um software qualquer. Educar com as TIC exige uma disposição ética para provocar e participar do diálogo entre os alunos e com os alunos, especialmente diante das possibilidades de interação possibilitadas pelas tecnologias de informação e comunicação atuais.
Nesse diálogo, como escreveu Martin Buber, o educador é apenas um dos elementos do mundo, assim como o são as condições sociais, a natureza, os livros, etc., que alimentam o processo educativo. (BUBER, M. La vie en dialogue. Trad. Jean Loewenson-Lavi. Paris: Aubier, p. 229). Para o filósofo, a educação “significa seleção do mundo em ação pelo homem; significa atribuir a uma seleção do mundo, recolhida e exposta na pessoa do educador, o poder decisivo de influência” (Ibidem, p. 228).
Dessa forma, mesmo que se reconheça nos processos educativos com TIC a necessidade de provocar nos alunos uma atitude mais autônoma no processo de ensino-aprendizagem, o valor do educador e de suas responsabilidades não podem ser minimizados.
Seminário Cidadania e Redes Digitais 2011
http://www.metodista.br/cidadaniaeredesdigitais
19 a 21 de outubro de 2011
Apoio
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
Comitê Gestor de Internet do Brasil (CGI)
Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.BR)
World Wide Web Consortium (W3C)
Universo Online (UOL)
Realização
Universidade Federal do ABC/ Núcleo Ciência Tecnologia e Sociedade/ Grupo de Pesquisa sobre Cultura Digital, Redes de Compartilhamento
Universidade Metodista de São Paulo/ Faculdade de Comunicação/ Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social/ Grupo de Pesquisa URBEtic
Mesas temáticas
INTERNET: ENTRE A LIBERDADE E O CONTROLE
A mesa buscará discutir as características da comunicação digital em sua condição cibernética, ambivalente, bem como o que realmente possibilita para as liberdades individuais e coletivas na comunicação mediada por computador.
GOVERNOS ABERTOS E TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
As possibilidades abertas pelas redes informacionais e pelo aumento da capacidade de processamento dos computadores permitem redesenhar a ideia de transparência. A cidadania pode ser ampliada pelas novas formas de participação e os governos podem ser redesenhados pela cultura do open data.
EXPRESSÕES DO NOVO ATIVISMO: HACKERS E O INDIVIDUALISMO COLABORATIVO
Existem novas formas de mobilização a partir da emergência das novas tecnologias? Quem são os novos atores? A cultura hacker auxiliou o surgimento de ações democráticas? Ela é um entrave ou um apoio a ampliação da cidadania? Quais são as reações de controle ao ativismo e liberdade de expressão?
Palestrantes
Alison Powell é pós-doutora pela Oxford Internet Institute, pesquisadora da London School of Economics and Political Science, pesquisando sobre direitos na rede, políticas de governança da internet e culturas de código aberto. É doutora em estudo comunicacionais pela Concordia University (Canadá), mestre pela Ryerson University e York University.
Cristiano Ferri Soares de Faria é doutor em sociologia e ciência política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos – IESP da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, mestre em políticas públicas pela Queen Mary College da Universidade de Londres e pesquisador associado do Ash Center for Democratic Governance and Innovation da Universidade de Harvard. Também especialista em ordem jurídica pela Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Municípios e em assessoria parlamentar e relações executivo-legislativo pela Universidade de Brasília, formou-se em Direito nessa mesma Universidade. No campo profissional, Cristiano é servidor da Câmara dos Deputados anos desde 1993, onde coordenado projetos de qualidade legislativa e democracia eletrônica. Entre tais projetos, foi o idealizador e gestor do projeto e-Democracia da Câmara dos Deputados de participação digital.
Fábio B. Josgrilberg possui graduação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, mestrado em Estudos da Mídia – Concordia University (2000) , doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2006), com estágio pós-doutoral na London School of Economics and Political Science. Atualmente é Pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa, professor da Faculdade da Comunicação no Programa de Pós-graduação em Comunicação Social, líder do grupo de pesquisa URBETIC (http://www.metodista.br/urbetic), membro da comissão editorial do Wi-Journal of Mobile Media. Integra o comitê internacional do Mobile Life. É líder do projeto de pesquisa URBETIC: um estudo comparativo de infovias municipais brasileiras, financiado pela FAPESP.
Fernanda Glória Bruno, doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ e Pesquisadora do CNPq. Coordena, desde 2005, a Linha de Pesquisa “Tecnologias da Comunicação e Estéticas” do PPGCOM/UFRJ e o CiberIdea: Núcleo de Pesquisa em tecnologias da comunicação, cultura e subjetividade/UFRJ. Áreas de pesquisa e interesse: tecnologias da comunicação e da cognição; dispositivos de visibilidade e vigilância; produção de subjetividades nas culturas moderna e contemporânea. Projeto de pesquisa atual (2007-2010): Visibilidade, vigilância e subjetividade nas novas tecnologias de informação e de comunicação (Apoio – CNPq).
Gabriella (Biella) Coleman é doutora em Antropóloga Socio-Cultural pela Universidade de Chicago, pesquisa sobre software livre e código aberto. Atualmente é professora assistente na NYU, no Departamento de Media, Cultura e Comunicação e está finalizando o livro “Coding Liberal Freedom: Hacker Pleasure and the Ethics of Free and Open Source Software” (em contrato com a Princeton University Press).
Henrique Antoun é pós-doutor pelo McLuhan Program in Culture and Technology da Universidade de Toronto (2006). Atualmente é professor associado 1, diretor do departamento de Fundamentos da Comunicação da Escola de Comunicação, vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação de Comunicação e coordenador do grupo de pesquisa CIBERCULT – Laboratório de comunicação distribuída e transformação política – da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Secretário Executivo da ABCIBER – Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura – de 2007 a 2009 e coordenador do grupo de trabalho “Comunicação e Cibercultura” da COMPÓS – Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação – de 2007 a 2009. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Teoria da Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: cibercultura, comunicação, politica e ética.
Rodrigo Savazoni, realizador multimídia, jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero, co-autor do livro CulturaDigital.br e diretor-geral do Festival Cultura Digital.Br (www.culturadigital.org.br). É mestrando em Ciências Humanas na Universidade Federal do ABC, onde integra o grupo de pesquisa em Cultura Digital e Redes de Compartilhamento. Um dos criadores da Casa da Cultura Digital (www.casadaculturadigital.com.br). Um dos autores do webdocumentário Remixofagia – Alegorias de uma Revolução e do projeto Cinco Vezes Cultura Digital (http://cincovezes.culturadigital.org.br).
Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo, mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. É professor adjunto da Universidade Federal do ABC (UFABC). Consultor de Comunicação e Tecnologia. Presidiu o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (2003-2005) e é membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Pesquisa as relações entre comunicação e tecnologia, práticas colaborativas na Internet e a teoria da propriedade dos bens imateriais. Autor dos livros: “Exclusão Digital: a miséria na era da informação” e “Software Livre: a luta pela Liberdade do conhecimento”. Desenvolve trabalhos nos seguintes temas: exclusão digital, tecnologia da informação e comunicação, sociedade da informação, economia informacional, cidadania digital e Internet.
Vagner Diniz é gerente do W3C Brasil. CGI.br, engenheiro eletrônico, com especializações pela Fundação Getúlio Vargas, São Paulo e Universidade de Genebra, Suiça. Tem larga experiência em governo eletrônico, tendo atuado na administração pública e dirigido o Instituto CONIP.
Endereço
Universidade Metodista de São Paulo, Auditório Sigma, rua Alfeu Tavares, 149, São Bernardo do Campo, SP
O evento contará com tradução simultânea e transmissão pela Internet via TV UOL.